Caros colegas, amigos, estudantes, pesquisadores e “Cismados” sugiro mais duas pesquisas sobre o contexto já relacionado no “TelaContemporanea”. A primeira delas, “Conceitos de interatividade e aplicabilidades na TV digital” foi realizada em 2009 e é de autoria de Deisy Fernanda Feitosa, Kellyanne Carvalho Alves e Pedro Nunes Filho. A segunda, destaco “Não é TV, é uma nova mídia. O processo migratório do analógico para o digital”, de Fabrício Scaff Galvão, 2007. Ambas pesquisas não puderam ser postadas, mas para conferir na íntegra basta acessar os seguintes links:
Conceitos de interatividade e aplicabilidades na TV digital
http://www.bocc.ubi.pt/pag/feitosa-conceitos-bocc-05-09.pdf
Não é TV, é uma nova mídia. O processo migratório do analógico para o digital
http://www.bocc.ubi.pt/pag/galvao-fabricio-nao-tv-uma-nova-midia.pdf
Interatividade e aplicabilidades na TV digital...
Postado por
Erika Figueiredo
on terça-feira, 23 de junho de 2009
/
Comments: (0)
Programação Interativa
Postado por
Erika Figueiredo
/
Comments: (1)
Na pesquisa “Programação Educativa destinada à Televisão Interativa”, de Ana Vitória Joly, da Universidade Federal de São Carlos temos uma outra ótica sobre a televisão interativa e como os seus recursos irão contribuir, ou não, para uma programação educativa. Como a ideia deste blog é abrir o horizonte em torno das questões TV digital x Interatividade x jornalismo, achei relevante expor também uma outra ótica, afim de compartilhar meus pensamentos e ampliar o nosso repertório. Caso tenham interesse, acessem o link http://www.bocc.ubi.pt/pag/_texto.php?html2=joly-vitoria-programacao-educativa-televisao-interactiva.html e leiam na íntegra.
Nos países em que a tv digital já está implantada, os serviços oferecidos, já citados anteriormente, são o vídeo-on-demand, homebanking, e-mail, condições meteorológicas, jogos e informações complementares ao programa, recurso de multicâmeras, t-commerce e guia interativo de programação, talvez sejam os motivos do fracasso da tv interativa nesses lugares. Mas, "a introdução da tv digital no Brasil pode ser surpreendente, diferente do que se viu na Europa e nos Estados Unidos, pois o potencial da televisão aberta brasileira é muito grande", 6 porém, esse sucesso depende de conteúdos atrativos e específicos para mídia interativa que entusiasmem a população a comprar novos televisores e STBs.
As narrativas interativas serão promissoras para o incentivar o sucesso dessa mídia em nosso país, principalmente, porque, no Brasil, as telenovelas, de certa forma, já são interativas, assistidas diariamente por milhares de brasileiros, são escritas à medida que transmitidas, de acordo com os índices de audiência, a fim de que haja um retorno do público que vai aos poucos direcionando a história. ``A telenovela não é apenas discurso nem obra, mas produto da relação desta com o receptor'' (Távola:1996:40).
A autora Janet Murray coloca que o casamento da tv com o computador fará com que o drama seriado seja a mais provável maneira de contar histórias e arquivos hiperseriais poderão estender o melodrama televisivo a um complexo mundo narrativo.
As novelas interativas poderão ser enviadas a todos os telespectadores em "pacotes", contendo entrevistas com a equipe, making of, detalhes da produção de efeitos especiais, como já contém os DVDs (Digital Versatile Disc). Entretanto, incluirão também diversas opções do desenrolar da narrativa. Assim, se o espectador assistir sem interagir assistirá a novela como assiste hoje na televisão analógica, mas, caso deseje, poderá intervir e mudar o percurso da história, escolhendo um dentre vários caminhos da narrativa, e, deste modo, poderá assistir a história múltiplas vezes de formas distintas. "A principal diferença da narrativa interativa e da narrativa clássica linear é que na primeira a história se desenvolve de maneira única por cada usuário. Nesses ambientes não existe um caminho único ou certo. Nesse tipo de dramaturgia o prazer está em experimentar as possibilidades de interação". 7
Porém, a maioria das narrativas interativas para tv digital, em uma primeira instância, seguirá uma estrutura simples que limita a escolha do usuário a uma seleção de alternativas a partir de um menu fixo. Isso porque, primeiramente, são os produtores de conteúdo que precisam se adequar à nova realidade em que haverá modificações em todo o processo da produção audiovisual.
O roteiro precisa, necessariamente, seguir um mapa de interação. Esse construído para ``orientar'' o roteirista e toda a equipe pelas múltiplas versões de uma mesma história que estão sendo produzidas simultaneamente. Para tanto, o autor precisará criar vários caminhos da história, e se, hoje, as telenovelas possuem entre 24 e 25 tramas ou histórias paralelas, quando se tornarem interativas terão ramificações referentes a todas essas tramas que, conseqüentemente, se multiplicarão. O roteirista terá ainda que alterar a forma de escrever roteiro, provavelmente, esse precisará ser escrito em HTML8, objetivando ser acompanhado interativamente, de maneira que clicando nos links o usuário é conduzido para o trecho da história selecionado, e quando impresso terá que ser lido como os livros infantis do gênero ``enrola e desenrola'' 9.
Roteiros interativos terão que contar com, além desses fatores mencionados anteriormente, tipos diferentes de audiência. Existirão, ainda, aqueles que precisam se satisfazer com um único episódio, outros irão procurar coerência na história como um todo e alguns terão prazer em seguir, interagir, fazer conexões entre diferentes partes da história e descobrir múltiplas versões de um mesmo enredo. Para isso, é importante que haja artifícios para contextualização como, linha do tempo, árvores genealógicas, mapas, relógios, calendários, que possibilitem que o telespectador compreenda as diversas versões da história sem se desorientar.
O diretor também passará por mudanças em seu trabalho, além de ter que gravar uma maior quantidade de cenas, precisará se preocupar em dirigir uma mesma cena de várias formas diferentes. Em uma narrativa não-linear, vários trechos podem conduzir o espectador para um mesmo ponto, os caminhos de cada história podem se convergir em alguns momentos, porém, as personagens em cada versão terão passado por situações distintas que influenciarão suas ações. Se, por exemplo, uma personagem está em seu quarto e em uma das opções de trajeto está bebendo champanhe, em outra está lendo e na cena seguinte a história converge para um ponto comum. Enquanto a versão que a personagem estava bebendo a levará a uma cena ``x'' na qual estará um pouco embriagada, a versão que estava apenas lendo pode ser seguida pela mesma cena ``x'', mas desta vez ela estará sóbria, sendo que, certamente, o ator precisará atuar de duas formas diferentes, a cena ``x'' terá, portanto, que ser gravada de duas maneiras distintas.
Assim, a produção se tornará muito mais cara, já que para ser feita uma narrativa interativa, serão necessárias diversas histórias diferentes, e ainda, como dito anteriormente, um roteiro mais complexo, melhor trabalho do ator, diretor, trabalho aumentado de toda equipe, e uma finalização envolvendo a criação de telas para interação, contendo links que possibilitem a intervenção do telespectador.
Todavia, os telespectadores poderão gravar essas horas de programação e assistir múltiplas vezes para ver diferentes desenrolares da história. Com isso, a emissora pode conseguir financiar sua produção inserindo produtos de patrocinadores dentro do programa, que além de poderem ser vistos várias vezes, podem ser detalhados e comprados através da televisão sendo apenas necessário utilizar o controle remoto. Por isso, o t-commerce é, para empresários do setor, a grande promessa da tv interativa.
A ação dramática será parecida com a de qualquer programa televisivo para tv analógica, mas quando o telespectador desejar saber informações do vestido de uma personagem pode acessar o conteúdo referente à peça do figurino e comprá-lo. Se essa personagem estiver conversando em um grupo de dois ou mais outros personagens e ela sair de cena para um outro lugar no mundo ficcional, o telespectador poderá escolher se deseja seguí-la ou seguir um dos outros envolvidos na trama, coadjuvantes tem, portanto potencial para se tornarem protagonistas de suas próprias histórias.
A partir do momento que o público se acostumar a assistir televisão de uma forma ativa, pode ser que venha a existir programas interativos em que cada telespectador escolhe o cenário que desejar, o figurino para os personagens, o enredo, e, com isso, vai construindo sua própria narrativa. Mas, por enquanto, ainda é necessário prover um conteúdo interativo que não obrigue os telespectadores passivos a interagir, é preciso prover interatividade, mas também a opção da audiência interagir somente quando desejar.
Janet Murray afirma que as histórias certas podem abrir nossos corações e mudar quem somos, e as narrativas digitais adicionam um poderoso elemento a esse potencial oferecem a oportunidade de atuar na história ao invés de meramente testemunhá-la.
A Programação Educativa destinada à Televisão Interativa absorverá certas características da narrativa interativa, já que o telespectador irá se identificar com a personagem, se envolver na história, desejará interagir para modificar o percurso e seguir caminhos diversos que encaminharão a desfechos diferentes resultando em um aprendizado eficaz.
Telespectadores podem aprender através da televisão aberta, hoje, com programas divididos, pela autora Rosa Maira Bueno Fischer, em três categorias: programas didáticos cujo objetivo é ensinar, temático não-didáticos que realizados sem finalidades institucionais específicas fazem aprender, e programas não temáticos, que mesmo sem tratar de temas curriculares tem notável alcance educacional, são desse tipo os programas mais propícios para tv interativa que tende a veicular uma programação educativa informal.
A educação informal é, segundo Peter J. Bates, aquela que acontece durante a vida toda, e permite os indivíduos adquiram conhecimento das experiências diárias, incluem o aprendizado em casa, no trabalho, com amigos e mídias.
Narrativas ficcionais educam informalmente porque podem permitir ao telespectador observar, discutir e compreender comportamentos e atitudes, situações de conflito, questões morais e éticas, sendo também, ótimas para desenvolver a sensibilidade, o imaginário e a criatividade. A autora Gilka Girardello, apresenta os argumentos de pesquisadores que acreditam ser a linearidade o elemento que asfixia a imaginação infantil e exerce um efeito hipnótico sobre a audiência passiva. Para rebatê-los, expõe que a tv por si só não é responsável por tal efeito, outros fatores estão envolvidos como o tempo que a criança passa assistindo televisão, o tipo de mediação adulta e o conteúdo da programação. A interatividade será um fator a mais para refutar essa idéia. Através da atividade da televisão interativa que todas essas características educacionais da narrativa ficcional ganharão uma grande aliada: a interatividade. Aumentando sua capacidade de educar.
"A porta do futuro é a porta da escola, e atualmente não é mais uma porta e sim um portal que deve ser desmistificado e passar por cima do efeito on/off (aparelhos com apenas um botão, o liga/desliga) e levar a interatividade com a educação para as casas dos cidadãos".10
O e-learning11 está começando ser uma forma alternativa de aprendizagem. Porém, para isso, é necessário ter um computador pessoal com acesso a Internet, o que apenas 8,6%12 dos lares brasileiros possui. No entanto, 89% das residências possuem uma televisão. Apesar de ser necessário adicionar outros artifícios à tv para torná-la digital e interativa, as perspectivas são de que em algum tempo todas as televisões analógicas serão substituídas pelos aparelhos digitais ou serão munidas de decodificadores e, assim, serviços interativos via tv serão acessíveis a todos. Isso provê uma grande oportunidade para os cidadãos, pois além de encorajar novas oportunidades econômicas e reduzir a ``exclusão digital'', oferecendo a todos um acesso igualitário à tecnologia digital e ao aprendizado. Existem várias boas razões para considerar importante o papel da tv digital interativa como um meio propício para o t-learning.
O uso crescente das tecnologias digitais e das redes de comunicação interativa, segundo Pierre Lévy, acompanha e amplifica uma profunda mutação na relação com o saber, pois prolonga determinadas capacidades cognitivas humanas como a memória, a imaginação e a percepção. Serão construídos novos modelos do espaço dos conhecimentos emergentes, abertos, contínuos, em fluxo e não-lineares.
O modelo de espaço do conhecimento na tv interativa terá, certamente, um formato de ``edutainment'', entretenimento e educação, já que a maioria do aprendizado interativo através da tv tende a ser informal, poderá oferecer algumas opções inovadoras para auxiliar o desenvolvimento de habilidades básicas de maneira divertida.
Na Inglaterra, o canal digital BBC CBeebies é dirigido para crianças desenvolverem suas habilidades para o aprendizado. Quando o ícone interativo é exibido no canto superior direito da tela, durante o programa, o telespectador poderá acionar o botão vermelho do controle remoto, que abrirá uma tela de interação. Um número de atividades e histórias distintas estarão disponíveis em diferentes momentos relacionadas a programas que estão sendo transmitidos. Uma dessas atividades é baseada no programa infantil popular ``Bob the Builder'', focada no reconhecimento e comparação das cores. Mesmo sendo uma atividade simples, pode ajudar as crianças a desenvolver importantes habilidades.
O programa interativo ``Bob the Builder'' é destinado a crianças de três a cinco anos e as telas de interação possuem frases para que a criança faça sua escolha, mesmo que deste modo, com tal idade, ela não consiga interagir sem o auxílio de um adulto.
``Pelo que se vê, os meios digitais, ao contrário do que se pensava, não desestimulam o uso do texto escrito. Ao contrário, elevam-no a uma condição de importância que haviam perdido com o desenvolvimento das mídias audiovisuais. E mais, promovem sua integração com a imagem de forma mais decisiva do que na impressa''. (Costa:2002:98 e 99)
Portanto, a maioria das interfaces 13 utilizadas na televisão interativa tende a ser textuais, em que as frases ou palavras específicas servirão como links que levarão o telespectador ao ponto escolhido no ``pacote'' do programa recebido pela emissora.
Para muitos pesquisadores a melhor interface é a transparente, aquela que desaparece durante o uso e não precisa de um manual de instruções, pois funciona intuitivamente.
O Prof. Dr. Carlos Scolari14 define quatro metáforas para interface: Conversação, que pode se dar entre homem-sistema, homem-objetos interativos, agentes inteligentes e textuais aplicada na interação homem-computador. Instrumento, referente à manipulação direta de objetos, conceito de extensão ou próteses aplicado a interfaces homem-computador. Superfície, que permite intercâmbio, mas seleciona informação. E, por fim, a interface como ambiente, o lugar da interação.
No filme de Woody Allen ``A Rosa Púrpura do Cairo'', a personagem sai da tela do cinema seduz uma das espectadoras na platéia e a convida a participar do filme, Cecília, depois de ter sido convencida a interagir, entra na tela e muda a história. Nas narrativas interativas acontecerá certamente a mesma coisa, os espectadores poderão interferir na história, ``entrar nos filmes'', mas não serão os personagens que irão convencê-los a interagir, serão as interfaces.
As interfaces, portanto, deverão desempenhar um papel fundamental na interatividade da televisão digital, atraindo o telespectador e o convidando a interagir. Para que, assim, possa se divertir e aprender através de sua tv.
A Programação Educativa destinada à Televisão Interativa não irá, milagrosamente, resolver problemas econômicos e sociais contemporâneos, mas viabilizará, contudo, novos modos de entretenimento e aprendizagem.
Nos países em que a tv digital já está implantada, os serviços oferecidos, já citados anteriormente, são o vídeo-on-demand, homebanking, e-mail, condições meteorológicas, jogos e informações complementares ao programa, recurso de multicâmeras, t-commerce e guia interativo de programação, talvez sejam os motivos do fracasso da tv interativa nesses lugares. Mas, "a introdução da tv digital no Brasil pode ser surpreendente, diferente do que se viu na Europa e nos Estados Unidos, pois o potencial da televisão aberta brasileira é muito grande", 6 porém, esse sucesso depende de conteúdos atrativos e específicos para mídia interativa que entusiasmem a população a comprar novos televisores e STBs.
As narrativas interativas serão promissoras para o incentivar o sucesso dessa mídia em nosso país, principalmente, porque, no Brasil, as telenovelas, de certa forma, já são interativas, assistidas diariamente por milhares de brasileiros, são escritas à medida que transmitidas, de acordo com os índices de audiência, a fim de que haja um retorno do público que vai aos poucos direcionando a história. ``A telenovela não é apenas discurso nem obra, mas produto da relação desta com o receptor'' (Távola:1996:40).
A autora Janet Murray coloca que o casamento da tv com o computador fará com que o drama seriado seja a mais provável maneira de contar histórias e arquivos hiperseriais poderão estender o melodrama televisivo a um complexo mundo narrativo.
As novelas interativas poderão ser enviadas a todos os telespectadores em "pacotes", contendo entrevistas com a equipe, making of, detalhes da produção de efeitos especiais, como já contém os DVDs (Digital Versatile Disc). Entretanto, incluirão também diversas opções do desenrolar da narrativa. Assim, se o espectador assistir sem interagir assistirá a novela como assiste hoje na televisão analógica, mas, caso deseje, poderá intervir e mudar o percurso da história, escolhendo um dentre vários caminhos da narrativa, e, deste modo, poderá assistir a história múltiplas vezes de formas distintas. "A principal diferença da narrativa interativa e da narrativa clássica linear é que na primeira a história se desenvolve de maneira única por cada usuário. Nesses ambientes não existe um caminho único ou certo. Nesse tipo de dramaturgia o prazer está em experimentar as possibilidades de interação". 7
Porém, a maioria das narrativas interativas para tv digital, em uma primeira instância, seguirá uma estrutura simples que limita a escolha do usuário a uma seleção de alternativas a partir de um menu fixo. Isso porque, primeiramente, são os produtores de conteúdo que precisam se adequar à nova realidade em que haverá modificações em todo o processo da produção audiovisual.
O roteiro precisa, necessariamente, seguir um mapa de interação. Esse construído para ``orientar'' o roteirista e toda a equipe pelas múltiplas versões de uma mesma história que estão sendo produzidas simultaneamente. Para tanto, o autor precisará criar vários caminhos da história, e se, hoje, as telenovelas possuem entre 24 e 25 tramas ou histórias paralelas, quando se tornarem interativas terão ramificações referentes a todas essas tramas que, conseqüentemente, se multiplicarão. O roteirista terá ainda que alterar a forma de escrever roteiro, provavelmente, esse precisará ser escrito em HTML8, objetivando ser acompanhado interativamente, de maneira que clicando nos links o usuário é conduzido para o trecho da história selecionado, e quando impresso terá que ser lido como os livros infantis do gênero ``enrola e desenrola'' 9.
Roteiros interativos terão que contar com, além desses fatores mencionados anteriormente, tipos diferentes de audiência. Existirão, ainda, aqueles que precisam se satisfazer com um único episódio, outros irão procurar coerência na história como um todo e alguns terão prazer em seguir, interagir, fazer conexões entre diferentes partes da história e descobrir múltiplas versões de um mesmo enredo. Para isso, é importante que haja artifícios para contextualização como, linha do tempo, árvores genealógicas, mapas, relógios, calendários, que possibilitem que o telespectador compreenda as diversas versões da história sem se desorientar.
O diretor também passará por mudanças em seu trabalho, além de ter que gravar uma maior quantidade de cenas, precisará se preocupar em dirigir uma mesma cena de várias formas diferentes. Em uma narrativa não-linear, vários trechos podem conduzir o espectador para um mesmo ponto, os caminhos de cada história podem se convergir em alguns momentos, porém, as personagens em cada versão terão passado por situações distintas que influenciarão suas ações. Se, por exemplo, uma personagem está em seu quarto e em uma das opções de trajeto está bebendo champanhe, em outra está lendo e na cena seguinte a história converge para um ponto comum. Enquanto a versão que a personagem estava bebendo a levará a uma cena ``x'' na qual estará um pouco embriagada, a versão que estava apenas lendo pode ser seguida pela mesma cena ``x'', mas desta vez ela estará sóbria, sendo que, certamente, o ator precisará atuar de duas formas diferentes, a cena ``x'' terá, portanto, que ser gravada de duas maneiras distintas.
Assim, a produção se tornará muito mais cara, já que para ser feita uma narrativa interativa, serão necessárias diversas histórias diferentes, e ainda, como dito anteriormente, um roteiro mais complexo, melhor trabalho do ator, diretor, trabalho aumentado de toda equipe, e uma finalização envolvendo a criação de telas para interação, contendo links que possibilitem a intervenção do telespectador.
Todavia, os telespectadores poderão gravar essas horas de programação e assistir múltiplas vezes para ver diferentes desenrolares da história. Com isso, a emissora pode conseguir financiar sua produção inserindo produtos de patrocinadores dentro do programa, que além de poderem ser vistos várias vezes, podem ser detalhados e comprados através da televisão sendo apenas necessário utilizar o controle remoto. Por isso, o t-commerce é, para empresários do setor, a grande promessa da tv interativa.
A ação dramática será parecida com a de qualquer programa televisivo para tv analógica, mas quando o telespectador desejar saber informações do vestido de uma personagem pode acessar o conteúdo referente à peça do figurino e comprá-lo. Se essa personagem estiver conversando em um grupo de dois ou mais outros personagens e ela sair de cena para um outro lugar no mundo ficcional, o telespectador poderá escolher se deseja seguí-la ou seguir um dos outros envolvidos na trama, coadjuvantes tem, portanto potencial para se tornarem protagonistas de suas próprias histórias.
A partir do momento que o público se acostumar a assistir televisão de uma forma ativa, pode ser que venha a existir programas interativos em que cada telespectador escolhe o cenário que desejar, o figurino para os personagens, o enredo, e, com isso, vai construindo sua própria narrativa. Mas, por enquanto, ainda é necessário prover um conteúdo interativo que não obrigue os telespectadores passivos a interagir, é preciso prover interatividade, mas também a opção da audiência interagir somente quando desejar.
Janet Murray afirma que as histórias certas podem abrir nossos corações e mudar quem somos, e as narrativas digitais adicionam um poderoso elemento a esse potencial oferecem a oportunidade de atuar na história ao invés de meramente testemunhá-la.
A Programação Educativa destinada à Televisão Interativa absorverá certas características da narrativa interativa, já que o telespectador irá se identificar com a personagem, se envolver na história, desejará interagir para modificar o percurso e seguir caminhos diversos que encaminharão a desfechos diferentes resultando em um aprendizado eficaz.
Telespectadores podem aprender através da televisão aberta, hoje, com programas divididos, pela autora Rosa Maira Bueno Fischer, em três categorias: programas didáticos cujo objetivo é ensinar, temático não-didáticos que realizados sem finalidades institucionais específicas fazem aprender, e programas não temáticos, que mesmo sem tratar de temas curriculares tem notável alcance educacional, são desse tipo os programas mais propícios para tv interativa que tende a veicular uma programação educativa informal.
A educação informal é, segundo Peter J. Bates, aquela que acontece durante a vida toda, e permite os indivíduos adquiram conhecimento das experiências diárias, incluem o aprendizado em casa, no trabalho, com amigos e mídias.
Narrativas ficcionais educam informalmente porque podem permitir ao telespectador observar, discutir e compreender comportamentos e atitudes, situações de conflito, questões morais e éticas, sendo também, ótimas para desenvolver a sensibilidade, o imaginário e a criatividade. A autora Gilka Girardello, apresenta os argumentos de pesquisadores que acreditam ser a linearidade o elemento que asfixia a imaginação infantil e exerce um efeito hipnótico sobre a audiência passiva. Para rebatê-los, expõe que a tv por si só não é responsável por tal efeito, outros fatores estão envolvidos como o tempo que a criança passa assistindo televisão, o tipo de mediação adulta e o conteúdo da programação. A interatividade será um fator a mais para refutar essa idéia. Através da atividade da televisão interativa que todas essas características educacionais da narrativa ficcional ganharão uma grande aliada: a interatividade. Aumentando sua capacidade de educar.
"A porta do futuro é a porta da escola, e atualmente não é mais uma porta e sim um portal que deve ser desmistificado e passar por cima do efeito on/off (aparelhos com apenas um botão, o liga/desliga) e levar a interatividade com a educação para as casas dos cidadãos".10
O e-learning11 está começando ser uma forma alternativa de aprendizagem. Porém, para isso, é necessário ter um computador pessoal com acesso a Internet, o que apenas 8,6%12 dos lares brasileiros possui. No entanto, 89% das residências possuem uma televisão. Apesar de ser necessário adicionar outros artifícios à tv para torná-la digital e interativa, as perspectivas são de que em algum tempo todas as televisões analógicas serão substituídas pelos aparelhos digitais ou serão munidas de decodificadores e, assim, serviços interativos via tv serão acessíveis a todos. Isso provê uma grande oportunidade para os cidadãos, pois além de encorajar novas oportunidades econômicas e reduzir a ``exclusão digital'', oferecendo a todos um acesso igualitário à tecnologia digital e ao aprendizado. Existem várias boas razões para considerar importante o papel da tv digital interativa como um meio propício para o t-learning.
O uso crescente das tecnologias digitais e das redes de comunicação interativa, segundo Pierre Lévy, acompanha e amplifica uma profunda mutação na relação com o saber, pois prolonga determinadas capacidades cognitivas humanas como a memória, a imaginação e a percepção. Serão construídos novos modelos do espaço dos conhecimentos emergentes, abertos, contínuos, em fluxo e não-lineares.
O modelo de espaço do conhecimento na tv interativa terá, certamente, um formato de ``edutainment'', entretenimento e educação, já que a maioria do aprendizado interativo através da tv tende a ser informal, poderá oferecer algumas opções inovadoras para auxiliar o desenvolvimento de habilidades básicas de maneira divertida.
Na Inglaterra, o canal digital BBC CBeebies é dirigido para crianças desenvolverem suas habilidades para o aprendizado. Quando o ícone interativo é exibido no canto superior direito da tela, durante o programa, o telespectador poderá acionar o botão vermelho do controle remoto, que abrirá uma tela de interação. Um número de atividades e histórias distintas estarão disponíveis em diferentes momentos relacionadas a programas que estão sendo transmitidos. Uma dessas atividades é baseada no programa infantil popular ``Bob the Builder'', focada no reconhecimento e comparação das cores. Mesmo sendo uma atividade simples, pode ajudar as crianças a desenvolver importantes habilidades.
O programa interativo ``Bob the Builder'' é destinado a crianças de três a cinco anos e as telas de interação possuem frases para que a criança faça sua escolha, mesmo que deste modo, com tal idade, ela não consiga interagir sem o auxílio de um adulto.
``Pelo que se vê, os meios digitais, ao contrário do que se pensava, não desestimulam o uso do texto escrito. Ao contrário, elevam-no a uma condição de importância que haviam perdido com o desenvolvimento das mídias audiovisuais. E mais, promovem sua integração com a imagem de forma mais decisiva do que na impressa''. (Costa:2002:98 e 99)
Portanto, a maioria das interfaces 13 utilizadas na televisão interativa tende a ser textuais, em que as frases ou palavras específicas servirão como links que levarão o telespectador ao ponto escolhido no ``pacote'' do programa recebido pela emissora.
Para muitos pesquisadores a melhor interface é a transparente, aquela que desaparece durante o uso e não precisa de um manual de instruções, pois funciona intuitivamente.
O Prof. Dr. Carlos Scolari14 define quatro metáforas para interface: Conversação, que pode se dar entre homem-sistema, homem-objetos interativos, agentes inteligentes e textuais aplicada na interação homem-computador. Instrumento, referente à manipulação direta de objetos, conceito de extensão ou próteses aplicado a interfaces homem-computador. Superfície, que permite intercâmbio, mas seleciona informação. E, por fim, a interface como ambiente, o lugar da interação.
No filme de Woody Allen ``A Rosa Púrpura do Cairo'', a personagem sai da tela do cinema seduz uma das espectadoras na platéia e a convida a participar do filme, Cecília, depois de ter sido convencida a interagir, entra na tela e muda a história. Nas narrativas interativas acontecerá certamente a mesma coisa, os espectadores poderão interferir na história, ``entrar nos filmes'', mas não serão os personagens que irão convencê-los a interagir, serão as interfaces.
As interfaces, portanto, deverão desempenhar um papel fundamental na interatividade da televisão digital, atraindo o telespectador e o convidando a interagir. Para que, assim, possa se divertir e aprender através de sua tv.
A Programação Educativa destinada à Televisão Interativa não irá, milagrosamente, resolver problemas econômicos e sociais contemporâneos, mas viabilizará, contudo, novos modos de entretenimento e aprendizagem.
Programação Interativa em Televisão Digital - Por Lauro Teixeira
Postado por
Erika Figueiredo
on domingo, 21 de junho de 2009
/
Comments: (0)
Resumo:
Este trabalho pretende continuar a discussão, em nível teórico, desenvolvida no Congresso Set 2007, sobre o planejamento da grade de programação em Televisão Digital Interativa. No atual cenário, os emissores têm o desafio de adequar as múltiplas possibilidades de produção e distribuição de conteúdo da mais alta tecnologia, para um público de cultura heterogênea e de contrastes sociais marcantes. Com a digitalização, a mídia se transforma para além da experiência de assistir a uma programação seqüencial e se torna pervasiva, favorecendo, inclusive, o uso de recursos interativos em ambientes móveis e portáteis. A televisão, enfim, adquire o status tecnológico que possibilita sua definitiva integração ao ciberespaço, levando consigo, pela usabilidade, pelo entretenimento e pelo sentido de comunhão, a parcela da população que o computador, sozinho, não alcança. Contudo, a questão mais relevante, no processo de convergência, está na constituição de uma grade que mantenha seu foco nas experiências genuinamente televisivas. Aquelas que estimulam a interação social, do público entre si e com o assunto em pauta. O HDTV aumenta o prazer compartilhado de assistir televisão em casa. Os dispositivos móveis são digitais e seus usuários, interativos. Nesse cenário, tem muito a ganhar a programação que souber conciliar a liberdade individual de escolhas com a satisfação da experiência comum, que primeiro estabelecer seus paradigmas “televisivos” de interação com o público.
Fonte : http://www.ufscar.br/rua/site/?p=695
Este trabalho pretende continuar a discussão, em nível teórico, desenvolvida no Congresso Set 2007, sobre o planejamento da grade de programação em Televisão Digital Interativa. No atual cenário, os emissores têm o desafio de adequar as múltiplas possibilidades de produção e distribuição de conteúdo da mais alta tecnologia, para um público de cultura heterogênea e de contrastes sociais marcantes. Com a digitalização, a mídia se transforma para além da experiência de assistir a uma programação seqüencial e se torna pervasiva, favorecendo, inclusive, o uso de recursos interativos em ambientes móveis e portáteis. A televisão, enfim, adquire o status tecnológico que possibilita sua definitiva integração ao ciberespaço, levando consigo, pela usabilidade, pelo entretenimento e pelo sentido de comunhão, a parcela da população que o computador, sozinho, não alcança. Contudo, a questão mais relevante, no processo de convergência, está na constituição de uma grade que mantenha seu foco nas experiências genuinamente televisivas. Aquelas que estimulam a interação social, do público entre si e com o assunto em pauta. O HDTV aumenta o prazer compartilhado de assistir televisão em casa. Os dispositivos móveis são digitais e seus usuários, interativos. Nesse cenário, tem muito a ganhar a programação que souber conciliar a liberdade individual de escolhas com a satisfação da experiência comum, que primeiro estabelecer seus paradigmas “televisivos” de interação com o público.
Fonte : http://www.ufscar.br/rua/site/?p=695
Ministro diz que implantação da TV digital está adiantada em dois anos
Postado por
Erika Figueiredo
on quarta-feira, 17 de junho de 2009
/
Comments: (0)

Brasília - O ministro das Comunicações, Hélio Costa, ressaltou hoje (17) que o calendário de implantação da TV digital no país está adiantado em dois anos. Segundo ele, até o fim do ano todas as capitais e mais 30 cidades vão ter transmissão digital.
Hélio Costa falou durante a concessão de canais digitais a três emissoras de televisão de João Pessoa. A Televisão Cabo Branco Ltda, afiliada da Rede Globo, a Empresa de Televisão João Pessoa Ltda, afiliada da Rede Record, e a Televisão Tambaú Ltda, afiliada do SBT estão autorizadas a transmitir a programação com sinal digital. “O Ministério das Comunicações tem a data de 2016 como limite para desligar o sistema analógico e, em 2014, vamos ter que cobrir todo o território. Acho que vamos conseguir fazer isso em 2011 ou 2012.”Costa disse ainda que em dois ou três anos deve começar uma segunda fase da TV digital que é a da interatividade. “A TV digital permite uma série de uso, que nós vamos implementar quando incluirmos a interatividade, porque você vai poder ter um ambiente extraordinário de trabalho na educação, na saúde, na segurança.”
Segundo informações do Ministério das Comunicações, 20 cidades já têm emissoras de televisão transmitindo a programação em sinal digital.
Fonte: Agência Brasil
Sistema de TV Digital brasileira é referência para o mundo, afirma CPqD
Postado por
Erika Figueiredo
on terça-feira, 9 de junho de 2009
/
Comments: (0)
O Brasil está na "crista da onda" e é referência em sistema de TV digital, afirmou o CPqD, fornecedor de sistemas em TI e comunicação (TIC), durante palestra sobre “Segurança em TV Digital / T-Banking na manhã de hoje (05/03), em Campinas.
Com a implementação da TV digital no País, uma verdadeira revolução pode ocorrer no comportamento do brasileiro, principalmente, no que diz respeito a possibilidade de adquirir produtos, realizar transações bancárias sem sair de casa e tudo ao alcance das mãos, através de um controle remoto.
Para Alexandre Braga, consultor de segurança da informação CPqD, a mudança de paradigma é transformar o usuário passivo em interativo ao fazer uso dos serviços de T-commerce, de T-Gov e de T-Banking. “Com o advento do comércio eletrônico, a tendência vai ser a aquisição de bens pela TVD e o Set Top Vox”, adiantou o consultor.
A segurança em Tv digital para as transações seguras, envolvendo T-banking e cartões de crédito, o CPqD encara como uma inovação tecnológica, pois não existe ainda em nenhum lugar, um modo como o sistema brasileiro de televisão digital proporciona.
“O que apareceu em outros países é um modelo parecido com o que é o da internet, em que você digita o número do cartão, mas isso não trás a inovação tecnológica no sentido de segurança”, ressalta o especialista sobre as diferenças.
Em nível mundial, o Brasil é referência de acordo com o CPqD. “Em termos de televisão digital tá na crista da onda. O nosso padrão digital foi inspirado no japonês, mas fomos além na questão da interatividade. É essa plataforma, o famoso GINGA, middleware que é o diferencial brasileiro, ele é único no mundo. Não tem paralelo em nenhuma das outras implementações de televisão digital no mundo”.
Para 2009, Alexandre Braga diz que a perspectiva é sobre a normatização, pois sem a norma de segurança concluída não é possível avaliar as implementações. É preciso normatizar para que as aplicações sejam construídas do modo correto desde o início, para não permitir que o cenário de vulnerabilidade visto na internet aconteça também na televisão digital.
No entanto, apesar das discussões sobre a vulnerabilidade, o especialista finaliza, em tom bem-humorado e otimista, que “a plataforma de serviços interativos tem um potencial enorme. É uma ferramenta de promoção da cidadania, que irá viabilizar as oportunidades de negócios e permitir a inclusão social”.
